Entendendo o ebook

Open City e Idade Mídia estão cada vez mais unidos para explorarem e produzirem conhecimentos nas áreas de comunicação e tecnologia. No encerramento do semestre, os projetos encontraram-se para o debate de uma tecnologia ainda pouco difundida no Brasil, os e-books.

Para trazer novas referências e informações, foram convidados para o debate Adriano Fromer Piazi, Publisher da editora Aleph, José Santos Matos, escritor de livros infantis e idealizador do Museu da Pessoa, e Emerson Bento Pereira, coordenador do Departamento Cultural do Colégio Bandeirantes e
membro da Comissão do Livro Digital da Câmara Brasileira do Livro, CBL.

Adriano Fromer abriu o debate com noções técnicas e tecnológicas do e-book, colocando exemplos de fabricação e comercialização no exterior. “Aqui ‘ebook’ ainda soa como algo do futuro, mas é uma tecnologia do presente”. O impacto ambiental da produção de livros de papel e eletrônicos foi um dos pontos bastante discutido. “Essa conta depende muito da quantidade de livros que nós compramos”, lembrou Fromer. As facilidades do livro digital e o prazer do livro de papel também foram destacadas, ressaltando as diferenças de cada suporte. Outra diferença crucial trazida pelo Publisher foi a linguagem. “Não gosto desse fetichismo de e-books que simulam papel. São formatos diferentes.”

E quem tratou do aspecto da linguagem com muita propriedade foi o autor José Santos Matos, que tem idealizados seus livros em formato digital. “Trocamos as páginas pelos minutos. Criei um livro de 3 minutos”. Graças a sua experiência com o público infantil, destacou a importância de se dosar as animações e os aplicativos que o ebook pode comportar. “É um atrativo para a criança, mas não pode se transformar numa árvore de natal”. Sobre o assunto, Adriano Fromer acrescentou “o grande barato do livro é imaginar a história que você está lendo. Se os aplicativos sobrepõem isso, não é mais livro”.

Todas essas discussões surgiram por conta da revolução tecnológica que os e-books e tablets têm promovido tanto no mercado editorial, quanto na comunicação e na educação. Espaço para a divulgação de novos autores, uma nova cadeia produtiva e uma nova economia estão surgindo com esses avanços tecnológicos. Emerson Bento Pereira mostrou que está isolada, mas deriva de uma conjunção de fatores, “vivemos um contexto próximo ao do Renascimento. Temos um cenário cultural muito vivo, novas conexões, novas formas de pensar. Assim como no século XV existiu a expansão marítima, a revolução copernicana e invenção da prensa de Gutenberg”.

A discussão inspirou os alunos, que continuam a pesquisar sobre o tema e trocar ideias nas redes sociais sobre o assunto. No que depender deles, todo ócio das férias será criativo.

Livros e cidadania

Desde o começo do ano, os alunos que participam do projeto Open City estão empenhados em concretizar ideias que transformem a sociedade usando plataformas de internet. Uma das primeiras ações nesse sentido é a divulgação do projeto Biblioteca Mais feliz, apoiado pelo portal Catraca Livre e o Movimento Mais Feliz.

A Biblioteca Mais feliz tem como intuito promover a troca de livros sem nenhum custo entre os usuários cadastrados, um ótimo exemplo de ideias “Open City” que foram bem explicadas pelos alunos Ulysses de Faria e Ana Carolina Tomaz .“O objetivo principal é inovar, melhorar o cotidiano das pessoas com ações gratuitas e que também não visem ‘ganhar dinheiro’. Se a ação der certo, o retorno financeiro é uma conseqüência”.

Para o aluno Rafael Marcondes, o trabalho com a Biblioteca Mais Feliz é essencial para que os alunos desenvolvam um projeto próprio. “É bom ver um exemplo concreto do conceito com o qual estamos trabalhando.”
“Trabalhar um plano de comunicação faz com que o site não morra no esquecimento, e é isso que estamos fazendo nesse caso com um projeto que já existe antes de criar o nosso próprio”, explica Alexandre Sayad que coordena o Open City junto a Emerson Bento.

Os alunos concordam que o mais importante é que se crie um espaço de discussão, trocas de ideias e de ação, que envolva o maior número de pessoas possível. Para Ulysses “no fundo, todo mundo tem uma ideia Open City”, Ana Carolina observa que na maioria das vezes falta a prática e um incentivo para que se torne realidade e Rafael já vê, no interesse que vários professores têm demonstrado pelo projeto, um impacto positivo dessa iniciativa.

Para conhecer o projeto Biblioteca Mais Feliz, clique aqui.